Petróleo, intervenção e violência na Venezuela sob Trump
A obsessão pelo petróleo venezuelano
A Venezuela tem as maiores reservas de petróleo do mundo — e os EUA nunca esconderam que querem controlar esse recurso. Trump declarou que os Estados Unidos “administrariam” o país até que pudessem estabelecer uma transição política, o que inclui colocar empresas petrolíferas americanas para explorar o petróleo venezuelano. (InvestNews)
A ideia de “administrar” um país estrangeiro para controlar sua riqueza natural não é geopolítica; é saque disfarçado de política externa estatal. Quando um país usa sua máquina militar para garantir acesso aos recursos naturais de outro, isso deixa de ser diplomacia e passa a ser pilhagem com bandeira oficial.
Bloqueio naval e ação militar: agressão, não defesa
Trump ordenou um bloqueio “total e completo” de navios petroleiros venezuelanos, e essa medida foi amplamente criticada como violação da soberania da Venezuela e uma forma de agressão econômica e militar. (Encyclopedia Britannica)
Além disso, uma operação militar conduzida por forças especiais dos EUA capturou o presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa em Caracas, levando-os aos Estados Unidos sob acusações de tráfico e conspiração — um episódio que provocou indignação internacional e acusações de violação flagrante do direito internacional. (The Guardian)
Trump também deixou claro que não teme “boots on the ground” — ou seja, presença militar em solo venezuelano — até que seus objetivos sejam alcançados. (Axios)
Intervenção militar hostil: terror e destruição civil
O que ocorreu na Venezuela não se assemelha a uma guerra legítima com regras, tratados ou mandatos internacionais. Foi uma intervenção militar unilateral, com ataques a estruturas civis, bombardamentos e operações ofensivas que ignoraram totalmente os riscos para a população comum.
Chamar isso de política externa é minimizar o impacto real: mortes, medo e destruição que se aproximam da lógica do terrorismo estatal, usada como instrumento para impor vontade política e econômica sobre um país mais fraco.
A hipocrisia do discurso “democrático”
Os Estados Unidos tradicionalmente se posicionam como defensores da democracia e dos direitos humanos. Porém, quando Trump aplica a mesma lógica de violência e intimidação que condena em outros contextos, surge a maior hipocrisia possível: condenar terror quando isso acontece com aliados, mas praticá-lo quando favorece interesses próprios.
Essa política tem consequências tangíveis:
agrava a crise humanitária na Venezuela;
alimenta migrações forçadas;
intensifica tensões regionais na América Latina;
e cria um precedente perigoso de que país poderoso pode invadir e controlar recursos alheios sem repercussões reais.
Imperialismo disfarçado de política
Trump não é um desvio do sistema americano — ele representa a versão mais franca e impiedosa dela. A intervenção dos EUA na Venezuela revela que, quando se trata de petróleo, poder e hegemonia global, nenhum discurso bonito sobre democracia ou direitos humanos se sustenta diante da vontade de saquear e dominar.
Quando a política externa vira instrumento de agressão, não estamos diante de liderança — estamos diante de crime institucionalizado.
