Trump e a política do roubo: quando o poder vira crime


Petróleo, intervenção e violência na Venezuela sob Trump

Ilustrção política mostra Donald Trump segurando um barril de petróleo enquanto forças dos EUA sequestram Nicolás Maduro, simbolizando a intervenção americana na Venezuela pelo controle do petróleo.


Donald Trump não pode ser apenas visto como um presidente polêmico — ele encarna um estilo de política externa fundamentado na força, no interesse econômico e na violação da soberania de outros países. A crise entre Estados Unidos e Venezuela nos últimos meses mostra isso de forma dramática. (Reuters)

A obsessão pelo petróleo venezuelano

A Venezuela tem as maiores reservas de petróleo do mundo — e os EUA nunca esconderam que querem controlar esse recurso. Trump declarou que os Estados Unidos “administrariam” o país até que pudessem estabelecer uma transição política, o que inclui colocar empresas petrolíferas americanas para explorar o petróleo venezuelano. (InvestNews)

A ideia de “administrar” um país estrangeiro para controlar sua riqueza natural não é geopolítica; é saque disfarçado de política externa estatal. Quando um país usa sua máquina militar para garantir acesso aos recursos naturais de outro, isso deixa de ser diplomacia e passa a ser pilhagem com bandeira oficial.

Bloqueio naval e ação militar: agressão, não defesa

Trump ordenou um bloqueio “total e completo” de navios petroleiros venezuelanos, e essa medida foi amplamente criticada como violação da soberania da Venezuela e uma forma de agressão econômica e militar. (Encyclopedia Britannica)

Além disso, uma operação militar conduzida por forças especiais dos EUA capturou o presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa em Caracas, levando-os aos Estados Unidos sob acusações de tráfico e conspiração — um episódio que provocou indignação internacional e acusações de violação flagrante do direito internacional. (The Guardian)

Trump também deixou claro que não teme “boots on the ground” — ou seja, presença militar em solo venezuelano — até que seus objetivos sejam alcançados. (Axios)

Intervenção militar hostil: terror e destruição civil

O que ocorreu na Venezuela não se assemelha a uma guerra legítima com regras, tratados ou mandatos internacionais. Foi uma intervenção militar unilateral, com ataques a estruturas civis, bombardamentos e operações ofensivas que ignoraram totalmente os riscos para a população comum.

Chamar isso de política externa é minimizar o impacto real: mortes, medo e destruição que se aproximam da lógica do terrorismo estatal, usada como instrumento para impor vontade política e econômica sobre um país mais fraco.

A hipocrisia do discurso “democrático”

Os Estados Unidos tradicionalmente se posicionam como defensores da democracia e dos direitos humanos. Porém, quando Trump aplica a mesma lógica de violência e intimidação que condena em outros contextos, surge a maior hipocrisia possível: condenar terror quando isso acontece com aliados, mas praticá-lo quando favorece interesses próprios.

Essa política tem consequências tangíveis:

  • agrava a crise humanitária na Venezuela;

  • alimenta migrações forçadas;

  • intensifica tensões regionais na América Latina;

  • e cria um precedente perigoso de que país poderoso pode invadir e controlar recursos alheios sem repercussões reais.

 Imperialismo disfarçado de política

Trump não é um desvio do sistema americano — ele representa a versão mais franca e impiedosa dela. A intervenção dos EUA na Venezuela revela que, quando se trata de petróleo, poder e hegemonia global, nenhum discurso bonito sobre democracia ou direitos humanos se sustenta diante da vontade de saquear e dominar.

Quando a política externa vira instrumento de agressão, não estamos diante de liderança — estamos diante de crime institucionalizado.



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