Um comparativo entre as ações dos EUA na Venezuela e a lógica do terrorismo
Quando se fala em terrorismo, o senso comum costuma apontar apenas para grupos armados sem Estado, como os responsáveis pelos ataques de 11 de setembro. No entanto, existe uma discussão cada vez mais presente na política internacional: o terrorismo de Estado, praticado quando um governo usa o medo, a violência e o ataque a civis para impor sua vontade. Sob essa ótica, as ações de Donald Trump contra a Venezuela levantam um questionamento inevitável: até que ponto essas ações reproduzem a mesma lógica do terrorismo que os EUA dizem combater?
Não havia guerra, não havia justificativa
É importante deixar claro um ponto central: os Estados Unidos não estavam em guerra declarada com a Venezuela. Não havia conflito armado formal, autorização internacional ou ameaça militar direta ao território americano. Ainda assim, o governo Trump promoveu operações agressivas, sanções extremas, ameaças militares e tentativas de captura do presidente venezuelano.
Quando um país atua militarmente em território estrangeiro sem guerra declarada, sem mandato internacional e sem consentimento do Estado alvo, isso deixa de ser defesa e passa a ser agressão.
Sequestro político não é democracia
As tentativas de capturar ou remover à força o presidente da Venezuela não podem ser tratadas como ações legítimas. Sequestrar um chefe de Estado estrangeiro, fora de um contexto de guerra, é uma prática que ignora completamente o direito internacional. Não se trata de justiça, mas de imposição de poder pela força.
Essa lógica se aproxima mais de operações clandestinas e criminosas do que de qualquer conceito sério de diplomacia ou democracia.
Civis como alvo indireto: a marca do terror
Outro ponto central no comparativo com o terrorismo é o impacto sobre a população civil. As ações promovidas sob o governo Trump — bloqueios, ataques pontuais, pressão militar e sabotagem econômica — atingiram diretamente pessoas comuns, que não tinham qualquer relação com decisões políticas ou militares.
Atacar infraestruturas, espalhar medo, gerar caos social e aceitar o sofrimento de civis como “efeito colateral” é exatamente a lógica usada por grupos terroristas: o terror como instrumento político.
A mesma lógica do 11 de setembro, em escala estatal
Os ataques de 11 de setembro chocaram o mundo porque civis foram atingidos para enviar uma mensagem política através do medo. Quando um Estado poderoso faz algo semelhante — usando aviões, mísseis, sanções e forças especiais — o método muda, mas a lógica permanece: impor vontade política espalhando terror e insegurança.
A diferença é que, no caso de Trump, essas ações vêm com discurso oficial, bandeira nacional e justificativas retóricas como “liberdade” e “democracia”.
Terrorismo não deixa de ser terrorismo porque usa gravata
Existe uma ideia perigosa de que apenas grupos sem Estado podem ser terroristas. Mas quando um governo:
age fora da lei internacional,
ataca ou ameaça civis,
usa o medo como ferramenta política,
e ignora completamente a soberania de outros países,
ele passa a praticar terrorismo de Estado.
Trump não criou esse modelo, mas o aplicou de forma explícita, sem disfarce e sem constrangimento.
Conclusão: quem combate o terror não pode agir como terrorista
O maior problema das ações de Trump contra a Venezuela não é apenas a violência em si, mas a hipocrisia. Os Estados Unidos se colocam como vítimas do terrorismo e como guardiões da ordem mundial, mas reproduzem os mesmos métodos que dizem condenar, apenas com mais poder e menos consequências.
Quando não há guerra, não há ameaça direta e mesmo assim se usa violência, sequestro e medo contra outro país, isso não é defesa. É terrorismo praticado pelo Estado, legitimado apenas pela força de quem manda.
